Vanguart

quarta-feira, 23 de março de 2016

Elas


          Os cronistas costumam dizer que qualquer fato é motivo para um (bom) texto. Uma caneta que cai da mesa, o cachorro latindo na rua tarde da noite, a sirene do carro da polícia. Muitos autores anotam acontecimentos em seus caderninhos, para não esquecer. Hoje em dia digitam notinhas nos celulares também. Mas porque estou dizendo isso? É porque esse texto começou a ser desenhado no domingo, enquanto eu folheava meus álbuns de fotos antigas à procura de algumas boas imagens para fazer uma homenagem à Sandra, já que ontem seria seu aniversário. O pensamento continuou a brilhar quando eu tomava uma fresca, antes da janta- e portanto contrariando Drummond- tagarelava no WhatAapp com a Marlene sobre política e com a Érica sobre cabelos secos. 
           Então eu analisei por algumas horas o que tenho pensado desde domingo. O que faz essas mulheres malucas gostarem tanto de estar juntas? Claro que todas já pensaram isso. E todo mundo também já faltou em vários encontros. Todas já acharam fulana chata demais. Todas também já se perguntaram: "O que aquela ali está fazendo no NOSSO grupo? Ela não é uma LULU!" Eu mesma já confessei que me senti muito mal no encontro na casa da Valéria, quando todas expuseram uma espécie de curriculum vitae. 
               Sem contar a gritaria de todas juntas. As risadas discretas. As piadas. Qualquer pessoa de fora do grupo não entenderia. Como podem essas quinze mulheres aproximadamente funcionarem tão bem? Enquanto escrevo eu vou me lembrando das figurinhas... Silvana Guerra rindo que nem ela só. Acho que ela é a que mais se diverte. Silvinha falando forte e espanholado, um meio que querendo botar ordem, mas no fim só serve para a gente cair na risada. A Valéria só ri e pergunta, "o que vocês acham?" - não se enganem, de boba não tem nada. A Marlene quer ser brava. Briga, resmunga e dá as ordens. Sem ela os encontros não acontecem. A carranca é para esconder o coração. A Jacqueline Onassis também dá umas resmungadinhas, mas se diverte pra caramba. E se tiver cerveja então? A Inês está sempre fina e elegante. No Chile deu dicas incríveis, não é Jacque? O melhor coração quem tem é a Isabella. Pudera! Ela é taurina! A Soninha ainda é uma mocinha. Se a matricularmos no Clybas ela vai ser confundida com aluna. Ela tem alma de criança. Minha amiga Samara absorveu as características calientes da disciplina da qual é maestra, o español. Portanto é a mulher fatal espanhola, a andaluza avassaladora, a heroína  da novela mexicana que espera pelo último capítulo para ser finalmente feliz para sempre. A Sandra Barbosa e a Kátia voltaram aos tempos do ginásio. Acho que do grupo são as Lulus que mais convivem.  A Fernanda eu também relaciono à escola. Se fosse uma das minhas alunas eu acho que seria aquela que sempre quer fazer perguntas. A Sandra Ogeda é uma luz, uma Lulu que só traz amor e paz aos encontros. A Gracinha é uma menina sapeca. A Myrinha é um presente bom, porque ela nos deixou no meio do colegial, então agora a recuperamos, êba! A Baixinha é alegre e é uma gostosura estar com ela. A Marisa eu vejo pouco, mas sei que ela é minha prima e querida. A Neusa some às vezes, mas nos encontramos esses dias e conversamos, que coisa boa! A Renata eu lembro do Fernando Amaral, não tem jeito. E que netinha linda! A Verinha se pudesse levava todo mundo pra casa, tirava os móveis da sala, colocava carteiras e lousas e brincava de 2º Básico Secundário B.