Vanguart

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

sábado, 25 de outubro de 2014

Calendário Rosa 2015


domingo, 7 de setembro de 2014



                                                             
                                                      Minhas coisinhas simples
             Eis que o mês de agosto terminou e com ele dissipou-se também aquela nuvem negra que pairava sobre a minha cabeça. Foram quatro meses de tortura. Cento e vinte dias catando cachorro a grito, comendo o pão que o diabo amassou.
            Eu nem de longe suspeitava, lá pelo mês de fevereiro, quando tive a sorte de resolver meu inesperado probleminha de saúde lá nos Estados Unidos, que passaria tanto perrengue e em tão pouco tempo.
            Pois é. De um dia para o outro a gente vai do céu ao inferno. E se foram tempos de amargura, nem de longe se comparam à falta de humanidade que a gente é obrigada a engolir todos os dias.
               Já perdi a conta de quantas pessoas deixaram de me cumprimentar por aí. O record fica por conta do grupo que jamais pensaria que fosse agir assim: o pessoal da igreja que eu frequentava. Quantos abraços e desejos de paz eu recebi de gente que hoje finge que não me vê. Depois vêm as pessoas que convivem com você, sabem o que você está passando, mas exigem que você se comporte como uma máquina.  Por isso reproduzo algumas palavras da Márcia Cabrita, atriz, que desabafou em seu blog quando teve câncer: Eu fiquei gravemente doente. Ao contrário do que muitos fantasiam, não tirei de letra. Não sei o porquê, mas existe uma ideia estapafúrdia de que quem está com câncer tem que, pelo menos parecer herói. Nãnanina não! Quem recebe uma notícia dessas não consegue ter pensamentos belos. Bem... eu não conseguia. A cobrança de positividade acabou se tornando um problema. Me olhava no espelho branca, de cabelos curtinhos (antes de caírem) e me achava pronta para fazer figuração na Lista de Shindler. Achava que não tinha chance de sobreviver à cirurgia, só pessoas que não tinham maus pensamentos sobreviviam. O mundo moderno é incrível. Tudo é maravilhoso, não existe sofrimento! As separações são sempre amigáveis e sem lágrimas, as mães não tem mais o direito de embarangar e ficar em casa lambendo a cria. Um mês depois estão lindas, magras, com barriga sarada! Quimioterapia é moleza! Vem cá, só eu que não moro na Disney?
                         Hoje percebo que precisei viver esse luto. Ele passou, apesar do medo fui confiante para o hospital. Mas outras angústias vieram. Sofri pelo que é “o de menos”, chorei pelos cabelos, pelas sobrancelhas, pelos cílios e pelo ... resto que vocês sabem. Chorei pelas dores , enjoos, injeções e tudo mais. Eu me dei esse direito. Eu me dei o direito de ser humana. A Mulher Maravilha mora na televisão, eu moro aqui mesmo. A Mulher Maravilha dá aquela giro e sai linda e poderosa correndo para salvar pessoas. Se eu fizesse a mesma coisa cairia estabacada com a careca no chão. Sinceramente, não acredito em uma seleção divina. Muitas pessoas bacanas e crianças morrem e isso não é nem um pouquinho justo.                                      Acho um saco quando dizem “ Fulano perdeu a batalha contra o câncer” , “Fulana tem tanta vontade e alegria de viver que foi salva”ou “ O amor por meus filhos me salvou”. Me parece tremendamente injusto. Quer dizer que quem morre não amava a vida? O amor pelos filhos não era grande o suficiente? A fé foi pouca? Pensamento bem cruel, não é mesmo?

                    "Senhor, fazei com que eu aceite minha pobreza tal como sempre foi. Que não sinta o que não tenho. Não lamente o que podia ter e se perdeu por caminhos errados e nunca mais voltou. Dai, Senhor, que minha humildade seja como a chuva desejada caindo mansa, longa noite escura numa terra sedenta e num telhado velho. Que eu possa agradecer a Vós, minha cama estreita, minhas coisinhas pobres, minha casa de chão, pedras e tábuas remontadas. E ter sempre um feixe de lenha debaixo do meu fogão de taipa, e acender, eu mesma, o fogo alegre da minha casa na manhã de um novo dia que começa."

                                    CORA CORALINA

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

            A minha "rainha" (porque princesa é a irmã dela) tem opinião e desde pequenininha sabe o que quer. Escolhe as suas roupas sozinha (mas não liga pra roupa nova, não), não come salada (que pena!) e reclama do arroz requentado! Fascinada pelo Egito, esses dias me disse que quer fazer faculdade de "relíquias". Eu, curiosa, perguntei: "O que é isso Gabi?" “É faculdade de coisas antigas, mãe”. 16/08/2005 (recuperado do ORKUT).
O tempo passou e se aos 11 anos ela já sabia o que queria, imagina aos 17! Brava e categórica me tira do sério! Eu e sua irmã pulamos miudinho para a convivência ser pacífica. “Mãe, traz água?”, “Ni, seca meu cabelo?”, “A pé eu não vou!”  Então um dia ela resolveu que ia fazer intercâmbio. Eu pensei, “Ah! Isso demora!” E ela foi preenchendo a papelada, fazendo as provas, indo às reuniões do Rotary, quando eu vi faltava um ano. Quando olhei de novo, era o dia da partida. Vai, Gabi, vai conquistar o mundo, vai conhecer outras maneiras de ver as coisas, mas lembra sempre que seu ninho tá quentinho aqui, tá?

sábado, 12 de julho de 2014

Minhas férias

                          Minhas férias foram bem curtinhas, não porque eu não tenha ficado em casa muitos dias, mas sim porque eu estava em tratamento. Por isso, passei muitos dias de cama, desanimada. Mesmo assim, consegui fazer algumas coisas das quais gosto muito. Cuidei das minhas plantinhas, li, fui ao cinema, cozinhei, vi os jogos da Copa, revi amigos e conversei sem pressa.










segunda-feira, 23 de junho de 2014


O que eu aprendi com o câncer

                    Antes do câncer, pensava que se eu passasse por um perrengue destes, me tornaria uma pessoa melhor, mais doce e compreensiva. Pensamento descuidado. Virei uma mulher indomável.  Bateu, levou. Não mais pondero, não conto até 10. Quero resolver os mal entendidos. Não tenho mais paciência com conversa maçante e gente enjoativa. Santo Deus! Será que virei uma chata? Também estou rabugenta. Sim, não saio do meu sofá à toa. Não venha com almoço beneficiente em salão com telha de eternit e calor de 38 º. Às vezes penso que é coisa da idade e não do câncer, porém uma amiga de 30 anos me falou que ela nasceu assim. 
                     Por mais que você sofra com a quimioterapia, é você e só. Ela é ingrata, perversa, talvez um dos piores imprevistos da vida. A gente chora, quer morrer, jogar copos no muro, gritar até dar sono pra não ter que conviver com aquela dor de carne pisada por uma semana ou mais. Se desabafo com uma amiga, logo percebo sua expressão impaciente de quem quer um assunto mais alegrinho. Eu mesma decici que não reclamo mais, que não peço a ninguém que lave minha louça ou que busque um copo de água.
                     Não faço planos para o ano que vem. Meus ouvidos estão seletivos. As futilidades me parecem tão desnecessárias... meu tempo é raro. Quero fazer o que gosto, cuidar de mim e de quem gosta de mim. Aprendi com o câncer e com alguns êxitos profissionais, que gente "doente" e que gosta de estudar incomoda. O mundo gosta de pessoas medianas, comuns. Não tente obter sucesso. Gente abatida então, não importa se a doença não é contagiosa. O ser humano se afasta.

domingo, 9 de março de 2014

                         
                          

   Mulheres

                        

    Disse hoje no facebook que tenho orgulho de ser mulher. É verdade. Me divirto com a confusão que fazemos no dia a dia. Estamos sempre muito ocupadas e queremos que a humanidade perceba. Por isso exageramos nos gestos, passamos a mão várias vezes no cabelo e sorrimos alto. Pode ser que nem todas nós façamos tudo isso ao mesmo tempo. E há os dias em que emudecemos. Algum aborrecimento nos consome. Não precisa ser um grande desgosto, se é que existe infortúnio maior do que acordar com o cabelo desarranjado. Falamos muito e sobre tudo. Quem já tentou interromper duas mulheres em um colóquio sobre os contratempos da vida moderna? Como alguém pode ser tão impiedoso a ponto de ignorar a relevância que tem para uma mulher as técnicas de depilação a laser?
                              Os homens que não tem paciência com as mulheres que me desculpem, mas passar cinco minutos estagnada na prateleira do supermercado, entre o Veja Perfumes Silvestres e o Veja Brisa da Manhã esperando que a Deusa dos Produtos de Limpeza envie uma mensagem que irá mudar para sempre a sua vida se ela escolher o produto "certo" é no mínimo, encantador. Decidir a cor do esmalte é angústia sem fim. O cantor Nando Reis conhece bem a alma feminina. Em uma de suas músicas, escreve: ..."Escolhe o esmalte meticulosamente por ver razões na cor, que irão se explicar pra tudo funcionar simplesmente como gesto espontâneo e invulgar..." Na verdade é isso mesmo. Existe uma lógica, uma narrativa secreta que nós vamos compondo. As coisas têm razão para ser. Não pode ser tão simples. Queremos colocar poesia nos dias. E trilha sonora. Cores também e se possível, cheiros.  Nosso mundo tem fantasia.  Não é um charme?

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Cidade pequena é tudo de bom

                   Newark  fica no estado de Delaware. Foi fundada em 1694, por irlandeses e escoceses e tem 32 mil habitantes. Tudo na cidade gira em torno da Universidade de Delaware, que forma anualmente 22 mil estudantes. Não sei se é porque a cidade é pequena ou se há tradições que permancem com o tempo, mas aqui se ouve o apito do trem a noite inteira.  E também o tintilar dos sinos da igreja matriz!


                          O trem passa o dia todo e me faz imaginar que os Estados Unidos, ao contrário do Brasil, mantêm o transporte ferroviário como o maior meio de deslocamento de cargas. Uma característica da cidade de Newark é a de apresentar uma trilha ao redor da linha férrea,  por onde os pedestres e esportivas podem caminhar. Eles a chamam de walking-way.


Outro episódio bastante corriqueiro nas ruas e árvores da cidade é a assídua presença de figuras renomadas americanas, como os esquilos e os pássaros locais. Eles parecem não se importar com o clima glacial do povoado e fazem poses para os amadores fotógrafos de plantão.



Mais algumas fotos da cidade:







quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014


Mais impressões
Conforme os dias vão passando (as time goes bye), vou juntando mais alguns achados na minha memória. São impressões, cheiros e cores de Newark e das cidades e estados que visito. Converso com muitas pessoas. Aproveito a fila do supermercado e a viagem no ônibus para puxar um papo. Em um dia desses, voltando do Christiana Mall, perguntei à americana de classe social menos favorecida (porque aqui só  anda de ônibus quem  é pobre e sobre isso vou falar mais tarde) o que ela achava do Obama. Ela me disse assim: "Obama is a fiction book." E explicou, Obama é como um livro de ficção. A história é muito bonita, mas não corresponde à realidade.


Outra moça, dessa vez na saída do supermercado Path Mark, enquanto nos ajudava a trazer as compras para casa, contando que aqui se podia trazer o carrinho, nos disse que estava desempregada. Jessica (o seu nome) disse que não havia conseguido terminar os estudos e nem tinha um trabalho porque desde criança sofria com um sério problema na coluna. Ela é jovem ainda, deve ter uns 24 ou 25 anos, é casada e está grávida. Segundo Jessica, a licença maternidade nos Estados Unidos é de seis semanas. Os médicos não costumam dar atestado se você está doente, ou dão de poucos dias. Se você tem saúde você consegue trabalhar, senão está fora do sonho americano.

    Nossos professores da universidade aqui ganham em média 70 mil dólares por ano.  Ganham bem menos que no Brasil, se levarmos em conta os preços daqui. Eles nos contaram que uma das vantagens de se estar empregado em uma universidade é a garantia da faculdade dos filhos, que aqui é caríssima. Um professor de elementary ou high school aqui (nós aí do Brasil), começa a carreira ganhando 1.200 dólares, por cinco aulas diárias. Cerca de 3.000,00. Segundo minhas pesquisas, uma conta de energia elétrica baixa é 100 dólares. Um litro de leite custa R$ 4,25 e um pão de forma R$ 2,50 no supermercado mais barato. A vantagem de ser professor aqui, me contou um senhor casado com uma professora, é que se tem no mínimo 3 meses de férias por ano, já que as férias vão de 1° de julho a 1° de setembro e ainda tem o recesso do Natal, que vai do dia 20 de dezembro ao dia 10 de janeiro. Uma coisa curiosa está acontecendo por aqui, os professores estão caindo fora da profissão, pois não estão suportando as cobranças, segundo eles, estão "pegando muito no pé."
Outra vantagem de ser professor aqui é o seguro saúde, que dizem ser ótimo.
As escolas são muito decoradas, como a gente vê nos filmes. O currículo é bem diversificado. Tem aula de música, culinária, arco e flecha, fábrica de chocolates, enfim, tudo o que der para ensinar, aprender e dar prazer de fazer. E há muitos passeios, viagens, acampamentos, teatro e espetáculo. Americano adora espetáculos! Não é à toa que a Broaday é daqui.






           


         

essa escola fica há 3 quarteirões daqui da nossa casa e é de ensino médio


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Coisas boas e ruins nos EUA


             Hoje faz um mês e dois dias que estou aqui em Newark, estado de Delaware, estudando. No começo tudo é lindo. As comidas são uma novidade e parece que estamos vivendo um sonho. Depois começamos a fazer comparações com o nosso país e achar que aqui tudo funciona perfeitamente e que a terra da gente realmente deixa a desejar. Já estou na fase de sentir saudades até dos defeitinhos do Brasil, como a "falta de educação", claro, com moderação.


o lado bom dos EUA:
1. a organização;
2. a educação as pessoas- por favor, obrigada, sinto muito e com licença chegam a enjoar;
3. o ar quente em todos os ambientes fechados, nesse inverno que chega a -20 °;
4. as comidas prontas e o excesso de opções de compras.
5. roupas, calçados e maquiagem muito baratos;
6. praticar inglês (of course!);
7. Nova York;
8. museus, muitos!
9. a beleza da neve;
10. não precisar jogar papel do banheiro no lixo.



o lado ruim dos EUA (ele existe?)
1. nevascas, que não nos deixam sair de casa;
2. a falta do arroz com feijão (nossos);
3. quase toda comida salgada é doce;
4. as frutas e verduras são caras;
5. só se compra à vista;

6. como diz minha filha, essa terra é do demônio. É muita coisa para comprar!

7. as cidades são feitas para os carros, que são milhares. Mesmo em uma cidade pequena como Newark (cerca de 30.000 habitantes). Os semáforos levam horas para abrirem para pedestres e ninguém se importa. Isso porque você provavelmente está curtindo um frio de no mínimo -15 °. 

8. Os ônibus que televam aos outlets (sim, aqui os lugares de compras são bem afastados das cidades), passam de uma em uma hora (naquele frio que falei acima) e ninguém se importa, afinal só os pobres andam de ônibus. Humilhante.
9. Pasme! O MEGABUS (ônibus interestadual que inclusive nos leva a Nova York), além de caríssimo (18 a 25 dólares) nos apanha em um lugar no meio do descampado aqui em Newark. Rodoviária? Guarita?O que é isso? Em Nova York? Pior ainda! Sabe o ponto de ônibus que vai para Cândido Mota, aquele que fica em frente ao restaurante Ravena? É chique perto do de Nova York. Mais uma vez: pobre não anda de ônibus.






Assim que eu for lembrando mais coisas eu atualizo aqui.