Vanguart

sábado, 1 de outubro de 2011

A vida dos outros.

Tenho o costume de andar por aí observando as pessoas. Não são todas e nem faço isso o tempo todo. Não sei o que aciona o meu instinto observador, mas de repente baixa um negócio e eu começo a imaginar que tipo de vida leva o sujeito ou a madame que cruzou o meu caminho naquela tarde na fila do caixa eletrônico, por exemplo. Quanto mais caracterizadas as criaturas, melhor. Vou explicar. Uma noite dessas no supermercado, no corredor dos requeijões, margarinas e queijos, avistei um casal digno de meu “estudo”. O varão aparentava uns 30 anos, estava um pouco acima do peso e trajava uma calça social, camisa e gravata. A donzela era esguia, tinha cabelos pretos e muito lisos e revelava 35 anos aproximadamente. Ornamentava uma saia e um blazer rosinha fúcsia, colarzinho de pérolas e sapatos scarpins pretos. Andavam apressados entre os queijos e a gôndola de vinhos. A primeira impressão que tive do par era a de que fossem bancários, ele gerente e ela supervisora do setor financeiro. Supostamente deixaram a agência muito após o anoitecer, porque já trabalhei em banco e pelo menos na minha época, não tinha hora pra ir embora, porque os clientes comerciantes ou empresários, iam falar com o gerente só depois do expediente. Cheguei ao êxtase de concebê-los em uma igreja evangélica, dessas pentecostais, porque as roupas pareciam saídas do armário do pastor e da sua soberana. Amo os supermercados. Tanto para comprar, como para investigar, futricar, observar e me divertir. Já dizia Mário Prata, que a melhor fila para se curtir, para entender e conhecer o caráter, o nível social das pessoas, é a fila do supermercado. Nada como ficar ali com o seu carrinho, observando o que as pessoas tiram dos seus carrinhos. Ali vai uma vida inteira. Você fica sabendo de tudo da pessoa. Tudo. Seus gostos, suas manias, seus desejos mais íntimos. Cada carrinho daquele carrega uma vida inteira. Ou mais de uma vida. Ali vão coisas para a compradora, para o marido dela, para os filhos dela, para a vovozinha dela. E ali mesmo, você fica sabendo se ela tem cachorro ou gato em casa. E se os trata bem. Sem contar aquele veneno para ratos. E fica sabendo também, pela quantidade, se o super é para um dia, uma semana ou é mensal. Bem, pela quantidade de papel higiênico, a coisa vai longe.

Um comentário:

Maria Silvia Gomes disse...

Adorei minha linda. Você escreve adoravelmente bem. Beijocas da Silvinha.