Vanguart

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Eu e o câncer de mama- Parte I


          Pacientes com câncer sofrem o mesmo tipo de transtorno de estresse pós-traumático que acomete veteranos de guerra e vítimas de estupro. Quem afirma isso é o Dr. Smith, médico e psiquiatra norte-americano, citado no livro  autobiográfico "Câncer- e agora? Como lutar contra a doença sem deixar a vida de lado", de Kris Carr. Deve ter sido por isso que levei tanto tempo para poder escrever sobre a minha experiência.
           Gosto muito da comparação da atriz Drica Moraes se referindo ao tratamento do câncer. Ela disse que a gente se sente um réptil. Até agora não achei definição melhor para o paciente de câncer.
           Em agosto de 2008, falando ao telefone, senti um carocinho na mama esquerda. Como já fazia um ano desde a última mamografia, resolvi marcar outra. Só tinha vaga para o início de setembro. O médico leu o resultado do exame e me pediu uma ultrassonografia. "Não é nada para se preocupar. É costume completar um exame com outro." O resultado pedia investigação, mas eu não estava nervosa. Eu já habia feito várias cirurgias, inclusive retirado um CA de tireóide em 1999, sem maiores consequências. Encaminhada ao  mastologista, esse marcou um exame de punção. Não senti absolutamente nenhuma dor durante o procedimento. Então, no dia 5 de dezembro, eu teria retorno para saber o resultado, às 11 h da manhã. Algumas amigas do trabalho queriam me acompanhar, mas eu fugi delas e fui sozinha. Tinha alguma coisa me falando que se eu tivesse uma notícia ruim, dali para frente eu seguiria sozinha.
            O médico abriu o exame na minha frente e fez cara de choro. Disse que infelizmente eu tinha câncer, que o nódulo media 2,5 cm,  que eu teria de tirar a mama toda, que ia marcar a cirurgia o mais rápido possível e queria conversar com toda a minha família urgente. Eu fui desabando por dentro. A história de perder o chão, do céu ficar preto e branco é toda verdadeira. Rapidamente o doutor foi assinando a papelada para eu levar no hospital para que o IAMSPE autorizasse a cirurgia enquanto eu tentava arrumar coragem para sair dali.
             Mil coisas passaram pela minha cabeça do caminho entre o consultório médico e o hospital. Chorei largado, pensei nas minhas filhas, na minha mãe, em quanto tempo eu teria de vida, no pavor que seria passar por uma cirurgia dessas, etc. Chegando no hospital, tentei segurar o choro e perguntei pra recepcionista quantas cirurgias desse tipo eles faziam  (o hospital era em uma cidade vizinha, pequena). A moça me falou que era raro eles realizarem cirurgia de retirada de mama e eu tive até um calafrio. Mesmo assim entreguei a papelada, peguei as autorizações para os exames de investigação- cintilografia óssea, ultrassonografia do abdômem, etc- e ainda podia ser pior! Eu poderia estar com câncer em outras partes do organismo...

Um comentário:

Viviane disse...

Parabéns Rose pela sua coragem!