Vanguart

sábado, 29 de janeiro de 2011

Câncer de Mama no alvo da moda- SP Fashion Week 2011

A conduta do professor


É interessante como tem se dado tanto espaço na mídia em relação à "conduta do professor". Longe de mim cometer qualquer ato de ironia, mas a impressão que eu tenho é que de repente colocaram todos os professores em um grande muro, ou naquela sala da delegacia de polícia que a gente vê nos filmes, onde deixam uma fila de bandidos para serem identificados sem que saibam quem os examina.
Ainda ontem à noite enquanto verificava os concursos abertos no Estado de São Paulo e lia seus editais, fiz questão de salvar os salários de, por exemplo: bibliotecário da Unesp-salário INICIAL: 2.914,11; (vagas aqui no Campus de Assis); Analista de Promotoria (147 vagas)- salário INICIAL: 3.747,00. E só pra fechar,concurso para muitos professores SUBSTITUTOS por 4 anos, na Universidade de Santa Catarina: Professor Auxiliar Graduação e/ou especialização): 183,08 a HORA AULA; Assistente (Mestre): 228,82 a HORA AULA e Adjunto (Doutor): 297, 50.
Para que essas informações? É pra dizer que tudo está invertido, que a maioria dos concursos de nível médio paga entre 2.500,00 e 3.000,00 e estão esquecendo de que o professor de nível médio também come nesse país. Quer dizer que o professor não respeita os alunos e eles ficam traumatizados se lhes é cobrada uma postura de cidadãos que precisam chegar no horário? O professor é intolerante quando reclama e desabafa porque o aluno simplesmente não faz o mínimo de atividades na aula e passa o tempo rindo, ouvindo música e passeando pela sala de aula? Já é sabido que nesse país a educação não deve ser levada a sério porque o poder deve se manter nas mãos dos mesmos de sempre. Que a população seja iludida com a fala de que os professores são insensíveis e ruins ainda dá para entender, mas entre nós que lidamos com a realidade da sala de aula e das escolas públicas brasileiras? Ah, me poupe!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

está tudo bem

        Ontem estive no Hospital Amaral Carvalho em Jaú, para consulta de acompanhamento e está tudo bem. Como sempre, os dias que antecedem essa data me deixam extremamente irritada e os nervos ficam à flor da pele. Também costumo ficar mais chorona. Em compensação quando o médico diz que os exames estão OK eu sinto como se até esse momento eu estivesse em um avião procurando pouso há muito tempo por problemas de clima ou qualquer coisa assim e no instante em que vejo o sorriso do médico, o avião aterrissa em total calmaria.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Não sei mais dormir- Antonio Prata


SE O PRIMEIRO verbo do título fosse conseguir, em vez de saber, o leitor poderia achar que este pobre cronista sofre de insônia. Infelizmente, não é o caso.

Digo infelizmente porque para a insônia há mil remédios, da contagem de carneirinhos brancos às maravilhas da tarja preta, mas contra o mal que impede o descanso de minhas retinas tão fatigadas não encontro truque ou substância eficaz.

Meu problema, caro leitor, é a posição. Durante 33 anos, 2 meses e 11 dias, dormi de bruços. Um braço sob o travesseiro, o outro esticado para trás; perna direita reta, a esquerda meio dobrada, e oito horas mais tarde eu acordava, descansado e pronto para enfrentar as agruras da verticalidade, sob a inclemente gravidade de 9,8 m/s2.

Fui feliz até a manhã da última quarta, quando, ao sair da cama, senti a fisgada na lombar. Com o passar dos dias, a dor piorou, obrigando-me a consultar um ortopedista.

Após fazer algumas perguntas, o médico explicou-me, naquele tom sádico e pedagógico que os doutores usam para reprimir os hábitos do gentio inculto, que dormir de bruços era um comportamento execrável. Ao longo da noite você vai afundando no colchão, as costas envergam e as vértebras comprimem as cartilagens. Pelo que entendi, a posição em que dormia está para a coluna como o cigarro para o pulmão, o sol para a pele, o provolone à milanesa para as artérias; nos Estados Unidos, já deve até ser proibida.

A ciência aprova apenas duas maneiras de se deitar: de lado, com as pernas encolhidas, ou com a pança para cima. Não consigo acostumar-me. De costas, sinto-me como se estivesse num caixão, prestes a ser enterrado vivo. De lado é ainda pior, pois os mortos, ao menos, sabem o que fazer com os braços, e os deixam paralelos ao corpo, ou cruzados sobre a barriga, mas, quando nos colocamos na lateral, eles sobram como duas incômodas excrescências, como mastros tombados de um navio.

Faz uma semana que pergunto a conhecidos e desconhecidos como passam suas noites. Pelo que apurei, tirando os radicais, que continuam dormindo de bruços -e fumando, comendo provoleta e promovendo sacrifícios de criancinhas-, a maioria se acomoda mesmo de lado, resolvendo a questão dos braços agarrando-se a travesseiros. Confesso que tentei, mas fui incapaz de dormir assim, como uma mocinha de novela, a sofrer seus desamores.

Já estava quase me desesperando, anteontem, quando tive a alegria mesquinha de descobrir que meu querido amigo, o poeta Fabrício Corsaletti, era também viúvo recente do sono de bruços.

"E aí?! -empolguei-me, achando que ele iria me iluminar com sua contumaz sabedoria- Como você faz?!" Fabrício bocejou e disse que também estava perdido, e a única solução que lhe ocorria era desatarraxar os braços e guardá-los debaixo da cama, toda noite. Considerei a hipótese, mas a possibilidade de ter que ir ao banheiro, de madrugada, obrigou-me a descartá-la.

Pelo visto, terei de aceitar meu infortúnio. Afinal, a vida é assim mesmo, um acúmulo crescente de incômodos: primeiro te tiram do útero, depois te viram na cama e, no fim, ainda te colocam num caixão, de pança pra cima, até o fim dos tempos. Aliás, é essa a posição que adotarei, de hoje em diante. Não que seja boa para dormir, mas pelo menos já vou me acostumando.



antonioprata@uol.com.br

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dicas preciosas

Se vc é amigo de alguém que teve ou que tem câncer: nunca, mas nunca mesmo diga: - Vc TEM que tomar uma erva maravilhosa que só cresce na Namíbia. Não é comprovada cientificamente, mas é milagrosa!!! Minha tia que morreu, tomou.- Primeiro, não TEM que nada, só se o médico deixar. E a gente não quer receita da tia que morreu!
Nada de abraços nem olhares tipo pé-na-cova. É péssimo. Só carinho sincero. Se não conseguir fique na sua, é melhor.
Se vc for marido, ex-marido, namorado, ex-namorado, amante, ex-amante ou simplesmente um macho por perto, elogie. Diga que ela está bonita de lenço, que a carequinha é bonitinha, que a magreza é legal (bem, se ela estiver gordinha, acho melhor ficar calado). É muito bom ouvir, só não exagere, a gente desconfia. Elogios de amigos gays ou de amigas são bons, mas não surtem o mesmo efeito.
Não se ofenda se a gente não retornar a ligação, nem tenha ciúme de outra amiga!
Visita, só com hora marcada.
Ofereça-se para: fazer compras, ir ao banco, levar o cachorro para passear, passear com o filho, lavar a louça. Tem dia que a gente não consegue fazer nada disso.
Agora o mais importante: Jamais insinue coisas do tipo “ vc deixou a doença entrar”, “ o que vc fez para ficar doente”, “câncer é cabeça ruim”. EU NÃO FIZ NADA! Além de todo sofrimento, tem gente que acha que a culpa é nossa! Ainda tenho que me sentir culpada? A ciência ainda não sabe o porquê de algumas pessoas ficarem doentes e outras não.
Márcia Cabrita

Compreensão


               Como é difícil para os seres humanos compreenderem que seus semelhantes podem pensar diferente deles. Como é fácil para esses mesmos seres humanos julgarem atos ou pensamentos com dureza e precipitação. Curiosamente quem mais usa o discurso de bondade e amor ao próximo é quem mais costuma  usar de intolerância quando solicitado.
                Alguns não têm ideia da tristeza que causam nos corações de quem dizem amar. Não lhes importa  se machucam pessoas muito próximas. Colocar-se no lugar do outro parece tão certo e tão fácil de entender, entretanto a maldade cega e  a ignorância destrói. Deve ser porque no fundo somos egoístas e horrorosos por dentro. Usamos máscaras, maquiagem barata que ao primeiro sinal de suor escorrega pelo corpo. Então toda a poesia do mundo serve para isso, para disfarçar o sentimento de víbora que cada um tráz em si mesmo.

Just another day









Outro Dia


- Paul McCartney


Todos os dias ela toma banho pela manhã,molha seu cabelo
Enrola-se em uma toalha,e se dirige para a cadeira no quarto
É só mais um dia
Veste suas meias,calça seus sapatos
Põe a mão no bolso de sua capa de chuva
É só mais um dia
No escritório, onde papéis se amontoam,ela dá um tempo
Bebe outro café,e tem dificuldade de se manter acordada
É só mais um dia
Du du du du du du,é só mais um dia
Tão triste,tão triste,às vezes ela se sente tão triste
Sozinha em seu apartamento ela moraria
Até que o homem dos seus sonhos viesse quebrar o encanto
Oh, Fique,não saia por aí
E ele vem,e ele fica,mas vai embora no dia seguinte
Tão triste,às vezes ela se sente tão triste
Enquanto envia mais uma carta ao som das cinco
As pessoas se recolhem a sua volta,e ela sente dificuldade em manter-se viva
É só mais um dia
Tão triste,tão triste,às vezes ela se sente tão triste
Sozinha em seu apartamento ela moraria
Até que o homem dos seus sonhos viesse quebrar o encanto
Oh, Fique,não saia por aí
E ele vem,e ele fica,mas vai embora no dia seguinte
Tão triste,às vezes ela se sente tão triste
Todos os dias ela toma banho pela manhã,molha seu cabelo
Enrola-se em uma toalha,e se dirige para a cadeira no quarto
É só mais um dia
Veste suas meias, calça seus sapatos
Põe a mão no bolso de sua capa de chuva
É só mais um dia
Du du du du du du,é só mais um dia
Du du du du du du,é só mais um dia

domingo, 23 de janeiro de 2011

pausa

          Pausa. Uma pausa pra dizer que hoje é domingo, que o dia amanheceu lindo, que é muito bom receber visita de quem a gente gosta e que mora longe.  Esse final de semana estou recebendo a visita da minha amiga e comadre Sandra. Passamos boa parte do tempo jogando conversa fora, rindo, chorando e lembrando da nossa adolescência.
         Dia mais gostoso esse, embora o calor esteja de "estourar passarinhos." Fazer almoço enquanto tomamos uma cervejinha, ficar deitadas em frente ao ventilador sem pressa e sem preocupação, cuidar do cachorrinho e ver a Gabi se esborrachando de rir com nossas expressões fora de moda é tudo de bom.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Eu e o câncer de mama- Parte III

          Naquele 5 de dezembro de 2008 eu cheguei em casa, joguei um colchão no chão do meu quarto e me deitei. Não fossem os momentos em que eu precisava fingir que tudo estava bem, era lá que eu ficava e foi lá que permaneci  quase imóvel por uma semana. Eu não queria mais levantar daquele lugar, porque isso significava que eu teria de enfrentar o câncer.
           Entretanto a minha filha mais velha viajaria no outro dia de manhã para fazer vestibular em Londrina e na minha cabeça, de nada iria adiantar deixá-la nervosa com o resultado dos meus exames. Adiei por alguns dias a notícia pra ela e agora o que me preocupava era minha mãe. Eu pensava: "como posso dar mais esse sofrimento pra minha mãe?" Eu não suportava a ideia de vê-la triste e sofrendo por minha causa.
          Minha mãe me ligou na tarde de sexta e eu a tranquilizei. Disse que talvez tivesse de fazer uma cirurgia, coisa tranquila. Somente no sábado, às  três horas  horas da tarde, quando minha mãe veio à minha casa, eu fui dando a notícia em doses homeopáticas. Disse que havia uma ligeira probabilidade de eu ter de tirar a  mama, "por prevenção" somente. Não via a hora de ela ir embora, pra eu poder voltar pro meu colchão. Fazia um calor daqueles. Eu não sentia fome, eu não tinha sono, e tremia de ansiedade.
            Acontece que as mães não são bobas e diante da minha conversa me pediu pra procurar uma 2ª opinião, um outro médico, quem sabe em Jaú porque sempre foi centro de referência. Deus sabe com qual dificuldade eu liguei para a Elaine, irmã da minha amiga Vera, que meses antes descobrira um câncer de pulmão e na época fazia quimioterapia em Jaú. Ela já disparou um "não faça nada por aqui, vai pra fora da cidade. Os médicos daqui não sabem nada. Segunda-feira de manhã estarei aí na sua casa."
          O final de semana foi abafado, lento e um dos piores da minha vida. Na segunda de manhã a Elaine veio conforme prometera. Fomos à Associação do Câncer e ela agendou uma consulta pra mim para a sexta-feira daquela semana com um dos mais conhecidos especialistas em câncer de mama de Jaú, Dr Aírton Joioso.
            Diante de meus exames o Dr. Aírton falou: "infelizmente você  tem câncer. Primeiro é necessário que você saiba que não tem culpa disso. Outra coisa, faremos tudo o que for preciso pra cuidar de você. Hoje em dia a medicina está muito avançada e  cerca 84 % dos pacientes de CA de mama depois do tratamento levam uma vida normal. Ele disse ainda que eu teria de fazer mais alguns exames e que minha cirurgia só poderia ser realizada a partir de janeiro porque em dezembro no Hospital Amaral Carvalho o centro cirúrgico fechava no dia 15. Gostei muito do médico.
            Nem preciso dizer que o Natal e o Ano Novo foram extrememamente dolorosos. No meu trabalho, fui me despedir ainda no começo de dezembro e explicar que eu estava a partir daquele momento cuidando da minha saúde. Meus amigos me olhavam e choravam. Todos que sabiam do câncer me olhavam com cara de pena e muitos falavam coisas muito desencorajantes, pensando estarem fazendo o contrário. Exemplo: "Minha tia morreu de câncer de mama, mas não se preocupe! Ela não se cuidou direito..." (?)
            Infelizmente, não sei se por causa da punção ou devido à minha cabeça, o nódulo começou a doer. Não dava para esquecê-lo um só minuto.
            No dia 29 de dezembro fui para Presidente Prudente e fiz a cintilografia óssea. Em 6 d ejaneiro voltei para Jaú. Aí então tive noção do tamanho do perigo que estava correndo quando o médico abriu os exames e comentou; "agora sim podemos tomar as medidas para o tratamento. Agora que vejo que você não tem mais nada em NENHUM pedaço do seu corpo." Até então eu não tinha plena consciência de que poderia estar com outros focos da doença. Mas não estava. O médico prosseguiu: "A primeira coisa a fazer é a cirurgia. Não é aconselhado que se faça a reconstrução da mama imediatamente." E continuou explicando sobre a cirurgia.
             Entre essa consulta e a cirurgia, que teve de ser paga porque pelo SUS só havia vaga para o final de abril, passaram-se 35 dias.

Eu e o câncer de mama- Parte II

          "A semelhança de muitas mulheres com quem conversei, fui forçada a aprender que preciso me colocar em primeiro lugar. Tenho de me respeitar, tenho de dizer "não" para as coisas que não quero fazer. Para mim, esse é um exercício completamente novo. Sempre tentei agradar os outros. Acredito que o seio é um símblo de alimento, de cuidado. Como outras mulheres, me tornei especialista na arte de dar mais importância aos desejos dos outros que aos meus." Sherryl Crow           
               A cantora norte-americana Sherryl Crow teve câncer de mama em 2006, aos 48 anos. Seu relato faz parte do livro "Câncer- e agora? Como lutar contra a doença sem deixar a vida de lado", de Kris Carr, que reuniu de maneira muito criativa as experiências de aproximadamente 40 mulheres que tiveram câncer nos Estados Unidos nos últimos anos- a maioria jovem, bem sucedida e bem informada. Conforme as mulheres vão contando suas histórias dicas preciosas de "sobrevivência" durante o tratamento do câncer são apresentadas. O livro ainda conta com grande variedade de fotos, endereços, sites, receitas, enfim, trata-se de um manual indispensável para quem passa pelo problema. A própria autora, Kris, tem um câncer raro no fígado desde 2003. Além do livro fez um documentário premiado em que faz uma viagem pelos Estados Unidos, abordando seu momento particular de portadora de câncer.
            Voltando ao depoimento de Sherryl Crow, ele foi citado porque eu sempre fui exatamente como ela. Venho tentando melhorar, mas não é nada fácil. O câncer exige uma mudança de comportamento. É como se recebêssemos um cartão amarelo em um jogo de futebol e soubéssemos que daquele momento em diante, nossos lances teriam de ser cuidadosamente planejados, medidos, porque qualquer movimento precipitado poderia causar nossa expulsão do jogo.
            Então naquela sexta-feira, 5 de dezembro de 2008, voltando pela estrada de Palmital a Assis, com todas aquelas nuvens cinza escuro em um céu que anunciava chuva a qualquer instante, por mais que as lágrimas viessem quando me lembrava particularmente das minhas filhas, algum dispositivo ou substância química do meu cérebro foi liberado e eu entendi: "agora é você em primeiro lugar." É claro que esse processo foi doloroso, que eu me senti rasgando uma mata fechada no peito, pisando num formigueiro e prestes a colocar minhas mãos numa cascavel no cipó ao lado.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Eu e o câncer de mama- Parte I


          Pacientes com câncer sofrem o mesmo tipo de transtorno de estresse pós-traumático que acomete veteranos de guerra e vítimas de estupro. Quem afirma isso é o Dr. Smith, médico e psiquiatra norte-americano, citado no livro  autobiográfico "Câncer- e agora? Como lutar contra a doença sem deixar a vida de lado", de Kris Carr. Deve ter sido por isso que levei tanto tempo para poder escrever sobre a minha experiência.
           Gosto muito da comparação da atriz Drica Moraes se referindo ao tratamento do câncer. Ela disse que a gente se sente um réptil. Até agora não achei definição melhor para o paciente de câncer.
           Em agosto de 2008, falando ao telefone, senti um carocinho na mama esquerda. Como já fazia um ano desde a última mamografia, resolvi marcar outra. Só tinha vaga para o início de setembro. O médico leu o resultado do exame e me pediu uma ultrassonografia. "Não é nada para se preocupar. É costume completar um exame com outro." O resultado pedia investigação, mas eu não estava nervosa. Eu já habia feito várias cirurgias, inclusive retirado um CA de tireóide em 1999, sem maiores consequências. Encaminhada ao  mastologista, esse marcou um exame de punção. Não senti absolutamente nenhuma dor durante o procedimento. Então, no dia 5 de dezembro, eu teria retorno para saber o resultado, às 11 h da manhã. Algumas amigas do trabalho queriam me acompanhar, mas eu fugi delas e fui sozinha. Tinha alguma coisa me falando que se eu tivesse uma notícia ruim, dali para frente eu seguiria sozinha.
            O médico abriu o exame na minha frente e fez cara de choro. Disse que infelizmente eu tinha câncer, que o nódulo media 2,5 cm,  que eu teria de tirar a mama toda, que ia marcar a cirurgia o mais rápido possível e queria conversar com toda a minha família urgente. Eu fui desabando por dentro. A história de perder o chão, do céu ficar preto e branco é toda verdadeira. Rapidamente o doutor foi assinando a papelada para eu levar no hospital para que o IAMSPE autorizasse a cirurgia enquanto eu tentava arrumar coragem para sair dali.
             Mil coisas passaram pela minha cabeça do caminho entre o consultório médico e o hospital. Chorei largado, pensei nas minhas filhas, na minha mãe, em quanto tempo eu teria de vida, no pavor que seria passar por uma cirurgia dessas, etc. Chegando no hospital, tentei segurar o choro e perguntei pra recepcionista quantas cirurgias desse tipo eles faziam  (o hospital era em uma cidade vizinha, pequena). A moça me falou que era raro eles realizarem cirurgia de retirada de mama e eu tive até um calafrio. Mesmo assim entreguei a papelada, peguei as autorizações para os exames de investigação- cintilografia óssea, ultrassonografia do abdômem, etc- e ainda podia ser pior! Eu poderia estar com câncer em outras partes do organismo...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

As coisas mais simples

                                                     

              As férias são um período do ano em que, além de descansar, costumo organizar minhas coisas pois ao longo do ano, a bagunça vai se fazendo e nunca dá tempo de arrumar.  Como nas férias de janeiro de 2009 eu estava em Jaú e em 2010 eu estivesse às voltas com o final do tratamento de radioterapia e por isso mole e sem forças pra estar de pé, essas são praticamente as minhas primeiras férias em três anos. Então, o tempo é curto para tantas estrepolias!
               A primeira delas aqui em casa ocorreu na quarta-feira passada. Intrigada com o desbotamento dos tijolinhos do meu quintal e com medo de que eles pudessem ficar verdes, por causa das chuvas de janeiro, resolvi pintá-los. Ah, que alegria! O problema é que são aproximadamente 50 metros quadrados deles e o cheiro da tinta é forte. Comecei a pintar com um pincel pequeno. Um por um. Sentei no chão porque era maisa confortável. Bem, o serviço não rendia e então tive a ideia de pintar com uma vassoura. Aí sim! Mas eu já tinha ficado horas em contato com aquele cheiro e juntando o calor, comecei a enjoar.  Entrei, tomei um banho e ai que vontade de vomitar... foi o que fiz. Pensa que foi uma vez só? Não, não foi. Passei a noite do sofá para o banheiro e só me reestabeleci no outro dia, depois de um Dramin.
              Ontem foi a vez de organizar meus CDs e DVDs, outra delícia. Primeiro fui ao centro e comprei um nova porta-CDs porque eles estavam amontoados pelos cantos, sem casinha pra morar. E que surpresa boa descobrir que eu tinha um CD novinho do Nando Reis que eu simplesmente havia esquecido que tinha! Acho que ganhei do Artur no meu aniversário. Ouvi poucas vezes e guardei. Ah, o Nando Reis! Ele faz parte da história da minha família, veja só.  Eu nem me dava conta, mas na viagem que fizemos esses dias para Florianópolis, lá pelas tantas minhas filhas me disseram: "Mãe, escolhe um CD." E lá fui eu na caixinha e acabei colocando "Para quando o arco íris encontrar o pode de ouro". Já estava na terceira ou quarta música, que começou a dar uma puladinha, quando a Gabi falou: "Mãe, pelo amor de Deus, não dá pra por outro CD? Desde que eu era neném que eu ouço essas músicas!"
               Não que ela não goste, afinal cantou junto e sabe de cor, mas eu tenho que confessar que ouço muito os CDs do Nando Reis. É a trilha sonora da minha casa. Na viagem ou organizando os CDs, vi, ouvi e revivi momentos e épocas da minha vida e das minhas filhas. Zeca Baleiro, Ana Carolina, Skank e Frejat são alguns dos nomes mais ouvidos  por aqui também.
               Hum... na próxima semana quero cuidar das minhas plantinhas. Já sinto até um ânimo diferente. É como a água na boca que dá quando a gente vê uma comida que adora. Já estou planejando vistar a floricultura da sogra da Eva para comprar umas mudinhas de begônias e cravos. Ai, que loucura!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Floripa 2011

     Eu sou uma pessoa que adora ficar em casa. Gosto tanto que isso me causa problemas. Os amigos pensam que não gosto mais deles porque não os visito. As filhas acham que estou depressiva ou que fiquei velha antes do tempo. Então, muitas vezes me obrigo a sair de casa porque sei que faz bem. A mim e aos outros. Simplesmente eu fico muito tempo longe de casa por causa do trabalho. Quando chego, gosto de regar minhas plantinhas, fazer uma comidinha, ler um livro ou simplesmente me jogar no sofá e ligar a TV.
     Mas, uma vez por ano tudo muda. Eu gosto de ver o mar. É como se o meu corpo tivesse necessidade daquela água. Eu sou taurina. Touro é do elemento Terra. Costumo dizer que a terra precisa de água pra gerar vida, senão seca. Assim, planejo meu passeio anual com bastante antecedência. Pesquiso sites, google, envio e-mails para hoteis e faço contatos nas comunidades do Orkut dos lugares onde quero ir.
     Outro motivo pelo qual eu escolho viajar é a educação das minhas filhas. Tento seguir o exemplo daquela que foi dada. Eu e meus pais fizemos poucas e modestas viagens. Lembro de uma vez que viajamos porque meus pais seriam padrinhos de casamento em São Paulo. Foi uma viagem curta, mas os primos de lá nos levaram a Santos. Eu tinha 14 anos e foi a primeira vez que vi o mar. Em outra oportunidade fui com meu pai à Fóz do Iguaçu. Depois ao Rio de Janeiro. Viagens curtas, às cidades da região fizemos muitas. Meu pai era um pequeno pecuarista e vivia atrás de boas oportunidades de negócio. Guardo e cuido com extremo carinho das lembranças dessas viagens: dois álbuns de fotos preciosos demais para mim. Deus foi tão generoso, que na ocasião em que perdi minha casa em um incêndio, há dezoito anos, o único bem que resgatei foi minha caixa de fotos. Quero que minhas filhas tenham as suas memórias de viagens, que aprendam a cultura dos lugares onde visitam, que conversem com os moradores e nativos das cidades e levem essas experiências para a vida.
         O problema das viagens é que elas acostumam a gente mal. Já estou querendo fazer outra...
   
    

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Parabéns, minha Polaka!

... tudo começou qdo pensei assim: "Agora vou ter um nenenzinho só pra mim!" (pq sua irmã foi uma "insistência" do seu pai. Não q eu não quisesse, mas não queria naquela época, pq não tinha dinheiro, nem emprego e queria dar uma vida boa pra ela). Então, no começo, achei que vc fosse um menininho. Ía se chamar Leonardo ou Patrick...KKKKK!!!!


bem, isso vc já sabe: na TV passava O Rei do Gado, e eu fiquei enfeitiçada pelos olhos do Fábio Assunção. Tb tive vontade de comer pêssego. E "comia" gelo. O dia todo. Sentia necessidade. Essa eu tenho vergolha, mas fazer o quê... tb mastiguei um giz!!! Glup! Mas o gosto era horrível!
então íamos eu e vc, pesadíssimas, todas as manhãs para Maracaí dar aula. Subíamos as escadas da escola Mendonça, a passos lentos, ao som dos gritos dos alunos.
vc sempre foi folgada e espaçosa. Acho q se esticava na minha barriga e chegava a doer o estômago, a coluna, as costelas, enfim, tudo.
nasceu numa segunda-feira quente e chuvosa (igual ao dia de hj). Quando chorou e eu te vi pela primeira vez, notei que era rosada, ou melhor: vermelha. chata e esfomeada desde o 1º dia. Passou a noite chorando DE FOME! A enfermeira não via a hora de te levar pra mim (5 da manhã) pra vc poder mamar.
e hj, como disse a sua irmã, vc é essa menina EDUCADA E GENTIL, CADA DIA MAIS MEIGA...
sorte a sua é que as mães geralmente amam seus filhos incondicionalmente, ou seja: independente de como são. (...)
brincadeirinha!!!
coisa mais rica e fofa da mamys!!!!!! TE AMOOOO MUITO, MUITO, MUITO!! Nunca as palavras conseguirão expressar, pq é muito grande o meu amor...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Peace and Love



Como já disse, esse ano vou escrever mais. E também vou realizar alguns sonhos. Nada como o mês de janeiro para levantar o astral e dar uma forcinha para a disposição.
É sério! Estou sentido ótimas vibrações para 2011. O ano de 2009 foi pavoroso com aquelas sessões de quimio, a cirurgia, a rádio, argh! Pra dizer a verdade, desde o final de 2008 a vida não tem sido fácil. Já é tempo de paz!
Quero um ano tranquilo, quero minhas filhas felizes e bem resolvidas. Quero meu trabalho bem feito, quero emagrecer também pra poder fazer a cirurgia. Quero finalmente fazer a viagem para os EUA, reformar minha cozinha e quem sabe, a piscina. Mas acima de tudo, quero saúde.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Decisões de ano novo

         
 Hoje é dia 1º de janeiro de 2011. Eu decidi que vou escrever mais esse ano. Se eu tivesse escrito mais ao longo dos anos, teria muitas coisas pra lembrar. Não vai ser assim de agora em diante.
            Decidi que hoje escreverei sobre as certezas que um dia pensei que tivesse. Aos 20 e poucos anos achava que a vida acabaria aos 30. Então já tinha decidido: quando chegasse lá, iria cortar meu cabelo e parar de usar shorts. Já fiz 44 e continuo usando shorts. O cabelo tá curto por causa da químioterapia, mas não penso em mantê-lo curto por muito tempo. Às vezes me pego pensando que a vida vai ficar bem limitada aos 50. Quanta bobagem... minha avó, que fez 85, disse que até os 60 a vida é boa. Depois começam as fraquezas nas pernas, o desânimo e aquela cara no espelho toda enrugada que não parce ter nada a ver com os pensamentos da dona.
            Como tive câncer há dois anos, estou em período de remissão. Isso quer dizer que, pelo menos nos próximos 3 anos, estarei de 6 em 6 meses fazendo alguns exames muito chatos pra provar que a doença não voltou. Isso é tenebroso! Os instantes que antecedem a abertura do envelope com o resultado dos tais exames são longos. Dá uma agonia! É como se um fantasma vivesse me acompanhando, me assombrando. Só por isso, a vida já tem outro valor...
muitos anos de vida!!! 


Eu tive uma doença grave. Fiquei boa, mas não posso ficar totalmente segura que estou curada. Muita pessoas me perguntam o que mudou, o que eu aprendi com essa experiência, se eu vejo a vida com outros olhos. A impressão que tenho é que alguns pensam que quem flertou com a morte torna-se um ser sem defeitos, ou seja, que tudo passe a ser maravilhoso e sem defeitos! Nada disso, continuo a mesma! Se eu aprendi alguma coisa, preferiria continuar na ignorância.


Mas outro dia estava pensando que passei a a nutrir bons sentimentos a coisas que antes tinha horror. Tipo: pelanca em baixo do braço, osteoporose, geriatras, cabelo do Walmor Chagas, bunda mole sem volta, dentadura, chamar alguém com carinho de "meu velho". etc.


É... algo mudou, comecei a gostar dessas coisas, se é que vcs me entendem...

Márcia Cabrita