Vanguart

domingo, 6 de julho de 2008

às vezes



Basta as penas que eu mesma sinto de mim


Junto todas, crio asas, viro querubim


Sou da cor do tom, sabor e som que quiser ouvir


Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir


Quero mais, quero a paz que me prometeu


Volto atrás se voltar atrás assim como eu.


Pra falar verdade, às vezes minto


Tentando ser metade do inteiro que eu sinto


Pra dizer às vezes que às vezes não digo


Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo


"Tanto faz" não satisfaz o que preciso


Além do mais quem busca nunca é indeciso


Eu busquei quem sou


Você pra mim mostrou


Que eu não sou sozinha nesse mundo


Cuida de mim enquanto não me esqueço de você


Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser


Cuida de mim enquanto não me esqueço de você


Cuida de mim enquanto finjo... Enquanto fujo.






FERNANDO ANITELLI




sábado, 10 de maio de 2008

pra começar, quem vai colar os tais caquinhos do velho mundo????

Você deve conhecer uma ou mais delas. São aquelas pessoas com quem você está conversando e – de repente – você percebe que elas não estão te ouvindo. Sim, porque na primeira vírgula, na primeira pausa, ela entra em outro assunto, geralmente falando de si mesma. Tenho uma amiga, aliás uma pessoa muito famosa, que ficou uns três anos sem ouvir, sem prestar a mínima atenção nos outros. Fomos nos afastando dela. Agora, que se separou do esposo, passou a ouvir. Não estou querendo dizer que os casados não ouvem. Longe de mim. O caso ali é específico.
As pessoas que não ouvem, não são surdas. Elas escutam, mas não ouvem. Será que eu estou sendo claro? Você fala com elas e percebe que o olhar que deveria estar te mirando, tá longe. Sabe-se lá onde.
Pois eu resolvi o problema. Descobri que as pessoas que não ouvem, só não ouvem ao vivo. Mas se você telefonar, elas te escutam, te ouvem, enfim, falam com você. Não sei qual é a mágica do telefone para fazer trazer aquelas pessoas à nossa realidade e ao nosso mundo. Aí passei a só falar com este tipo de gente por telefone. Se a ligação for interurbana, ele ouve mais ainda.
Acho que é isto: quanto mais longe você está, mais ele presta atenção. Sim, porque quando você está perto ele não te ouve e nem te vê. Mas, não te vendo, ao telefone te ouve. Será que o Bell e o Freud chegaram a pensar nisso um dia?
Você entendeu, ou não ouviu nada do que eu disse?