Vanguart

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Direito

William Shakespeare

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto... Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

quarta-feira, 23 de março de 2016

Elas


          Os cronistas costumam dizer que qualquer fato é motivo para um (bom) texto. Uma caneta que cai da mesa, o cachorro latindo na rua tarde da noite, a sirene do carro da polícia. Muitos autores anotam acontecimentos em seus caderninhos, para não esquecer. Hoje em dia digitam notinhas nos celulares também. Mas porque estou dizendo isso? É porque esse texto começou a ser desenhado no domingo, enquanto eu folheava meus álbuns de fotos antigas à procura de algumas boas imagens para fazer uma homenagem à Sandra, já que ontem seria seu aniversário. O pensamento continuou a brilhar quando eu tomava uma fresca, antes da janta- e portanto contrariando Drummond- tagarelava no WhatAapp com a Marlene sobre política e com a Érica sobre cabelos secos. 
           Então eu analisei por algumas horas o que tenho pensado desde domingo. O que faz essas mulheres malucas gostarem tanto de estar juntas? Claro que todas já pensaram isso. E todo mundo também já faltou em vários encontros. Todas já acharam fulana chata demais. Todas também já se perguntaram: "O que aquela ali está fazendo no NOSSO grupo? Ela não é uma LULU!" Eu mesma já confessei que me senti muito mal no encontro na casa da Valéria, quando todas expuseram uma espécie de curriculum vitae. 
               Sem contar a gritaria de todas juntas. As risadas discretas. As piadas. Qualquer pessoa de fora do grupo não entenderia. Como podem essas quinze mulheres aproximadamente funcionarem tão bem? Enquanto escrevo eu vou me lembrando das figurinhas... Silvana Guerra rindo que nem ela só. Acho que ela é a que mais se diverte. Silvinha falando forte e espanholado, um meio que querendo botar ordem, mas no fim só serve para a gente cair na risada. A Valéria só ri e pergunta, "o que vocês acham?" - não se enganem, de boba não tem nada. A Marlene quer ser brava. Briga, resmunga e dá as ordens. Sem ela os encontros não acontecem. A carranca é para esconder o coração. A Jacqueline Onassis também dá umas resmungadinhas, mas se diverte pra caramba. E se tiver cerveja então? A Inês está sempre fina e elegante. No Chile deu dicas incríveis, não é Jacque? O melhor coração quem tem é a Isabella. Pudera! Ela é taurina! A Soninha ainda é uma mocinha. Se a matricularmos no Clybas ela vai ser confundida com aluna. Ela tem alma de criança. Minha amiga Samara absorveu as características calientes da disciplina da qual é maestra, o español. Portanto é a mulher fatal espanhola, a andaluza avassaladora, a heroína  da novela mexicana que espera pelo último capítulo para ser finalmente feliz para sempre. A Sandra Barbosa e a Kátia voltaram aos tempos do ginásio. Acho que do grupo são as Lulus que mais convivem.  A Fernanda eu também relaciono à escola. Se fosse uma das minhas alunas eu acho que seria aquela que sempre quer fazer perguntas. A Sandra Ogeda é uma luz, uma Lulu que só traz amor e paz aos encontros. A Gracinha é uma menina sapeca. A Myrinha é um presente bom, porque ela nos deixou no meio do colegial, então agora a recuperamos, êba! A Baixinha é alegre e é uma gostosura estar com ela. A Marisa eu vejo pouco, mas sei que ela é minha prima e querida. A Neusa some às vezes, mas nos encontramos esses dias e conversamos, que coisa boa! A Renata eu lembro do Fernando Amaral, não tem jeito. E que netinha linda! A Verinha se pudesse levava todo mundo pra casa, tirava os móveis da sala, colocava carteiras e lousas e brincava de 2º Básico Secundário B. 
               















quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Sabor picanha grelhada

                      Quando  estava prestes a fazer a primeira mastectomia, eu realmente havia entregado todos os meus pontinhos. Breve resumo dos meus sentimentos nos meses que antecederam esse dia terrível: eu resolvi que não ia mais levantar da cama. Durou três dias. Dias de choro e revolta. Então uma amiga brava e corajosa veio me ordenar que levantasse imediatamente e tratasse de parar de ser bunda mole. Eu ainda tive de simular uma valentia incomum perante minhas filhas e sorrir aos quatro ventos. Fui obrigada a fazer cara de paisagem quando o médico me disse que iria fazer uma espécie de varredura e investigar tim tim por tim cada pedacinho do meu ser. Até então eu não imaginava que poderia ter câncer noutro órgão. É, as coisas sempre podem piorar. E para alguém ansiosa como eu, processar todas essas informações em pleno início de dezembro, significa que comeria todas as unhas das mãos e pés (caso eu gostasse), pois exames, hospitais e centros cirúrgicos não querem nem saber se você tem uma doença horrorosa no final do ano. O problema é seu. Férias e recesso é direito de todos e então eu só pude estar com os meus pontinhos prontos para serem entregues no início de feveveiro do ano seguinte. Foram dois meses de calvário.
                          Minutos antes da enfermeira vir me buscar para a sala de cirurgia, a simpática paciente que estava na cama em frente à minha sucumbiu. Câncer de útero. Que bom presságio. Morrer é só isso?- eu pensei. Não fosse por minhas filhas, posso garantir que estava tranquila, pronta para o que desse e viesse. Até hoje. 
                          O mundo tem ficado muito atraente mesmo. Essas tecnologias, esses celulares, eu confesso que não vivo mais sem. A gente sai às ruas e vê uma explosão de cores, letreiros e vitrines. Tudo brilha e é luz. Hoje comprei um salgadinho desses Elma Chips. Pingo de Ouro. Lembro que comprava Pingo de Ouro na 5ª série e lá se vão quase quarenta anos, mas... sabor picanha grelhada? Que é isso companheiro? O duro não é morrer. Difícil é ter de ficar sem essas novidades que vêm em bandos, todos os dias, aguçando nossos olhos, ouvidos e todos os sentidos. Como viver sem aquele molho barbecue que agora os supermercados importam dos EUA? Aliás, como morrer sem? 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

https://repositoriosdelinguaportuguesa.wordpress.com/


Meu blog acadêmico.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

sábado, 25 de outubro de 2014

Calendário Rosa 2015


domingo, 7 de setembro de 2014



                                                             
                                                      Minhas coisinhas simples
             Eis que o mês de agosto terminou e com ele dissipou-se também aquela nuvem negra que pairava sobre a minha cabeça. Foram quatro meses de tortura. Cento e vinte dias catando cachorro a grito, comendo o pão que o diabo amassou.
            Eu nem de longe suspeitava, lá pelo mês de fevereiro, quando tive a sorte de resolver meu inesperado probleminha de saúde lá nos Estados Unidos, que passaria tanto perrengue e em tão pouco tempo.
            Pois é. De um dia para o outro a gente vai do céu ao inferno. E se foram tempos de amargura, nem de longe se comparam à falta de humanidade que a gente é obrigada a engolir todos os dias.
               Já perdi a conta de quantas pessoas deixaram de me cumprimentar por aí. O record fica por conta do grupo que jamais pensaria que fosse agir assim: o pessoal da igreja que eu frequentava. Quantos abraços e desejos de paz eu recebi de gente que hoje finge que não me vê. Depois vêm as pessoas que convivem com você, sabem o que você está passando, mas exigem que você se comporte como uma máquina.  Por isso reproduzo algumas palavras da Márcia Cabrita, atriz, que desabafou em seu blog quando teve câncer: Eu fiquei gravemente doente. Ao contrário do que muitos fantasiam, não tirei de letra. Não sei o porquê, mas existe uma ideia estapafúrdia de que quem está com câncer tem que, pelo menos parecer herói. Nãnanina não! Quem recebe uma notícia dessas não consegue ter pensamentos belos. Bem... eu não conseguia. A cobrança de positividade acabou se tornando um problema. Me olhava no espelho branca, de cabelos curtinhos (antes de caírem) e me achava pronta para fazer figuração na Lista de Shindler. Achava que não tinha chance de sobreviver à cirurgia, só pessoas que não tinham maus pensamentos sobreviviam. O mundo moderno é incrível. Tudo é maravilhoso, não existe sofrimento! As separações são sempre amigáveis e sem lágrimas, as mães não tem mais o direito de embarangar e ficar em casa lambendo a cria. Um mês depois estão lindas, magras, com barriga sarada! Quimioterapia é moleza! Vem cá, só eu que não moro na Disney?
                         Hoje percebo que precisei viver esse luto. Ele passou, apesar do medo fui confiante para o hospital. Mas outras angústias vieram. Sofri pelo que é “o de menos”, chorei pelos cabelos, pelas sobrancelhas, pelos cílios e pelo ... resto que vocês sabem. Chorei pelas dores , enjoos, injeções e tudo mais. Eu me dei esse direito. Eu me dei o direito de ser humana. A Mulher Maravilha mora na televisão, eu moro aqui mesmo. A Mulher Maravilha dá aquela giro e sai linda e poderosa correndo para salvar pessoas. Se eu fizesse a mesma coisa cairia estabacada com a careca no chão. Sinceramente, não acredito em uma seleção divina. Muitas pessoas bacanas e crianças morrem e isso não é nem um pouquinho justo.                                      Acho um saco quando dizem “ Fulano perdeu a batalha contra o câncer” , “Fulana tem tanta vontade e alegria de viver que foi salva”ou “ O amor por meus filhos me salvou”. Me parece tremendamente injusto. Quer dizer que quem morre não amava a vida? O amor pelos filhos não era grande o suficiente? A fé foi pouca? Pensamento bem cruel, não é mesmo?

                    "Senhor, fazei com que eu aceite minha pobreza tal como sempre foi. Que não sinta o que não tenho. Não lamente o que podia ter e se perdeu por caminhos errados e nunca mais voltou. Dai, Senhor, que minha humildade seja como a chuva desejada caindo mansa, longa noite escura numa terra sedenta e num telhado velho. Que eu possa agradecer a Vós, minha cama estreita, minhas coisinhas pobres, minha casa de chão, pedras e tábuas remontadas. E ter sempre um feixe de lenha debaixo do meu fogão de taipa, e acender, eu mesma, o fogo alegre da minha casa na manhã de um novo dia que começa."

                                    CORA CORALINA

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

            A minha "rainha" (porque princesa é a irmã dela) tem opinião e desde pequenininha sabe o que quer. Escolhe as suas roupas sozinha (mas não liga pra roupa nova, não), não come salada (que pena!) e reclama do arroz requentado! Fascinada pelo Egito, esses dias me disse que quer fazer faculdade de "relíquias". Eu, curiosa, perguntei: "O que é isso Gabi?" “É faculdade de coisas antigas, mãe”. 16/08/2005 (recuperado do ORKUT).
O tempo passou e se aos 11 anos ela já sabia o que queria, imagina aos 17! Brava e categórica me tira do sério! Eu e sua irmã pulamos miudinho para a convivência ser pacífica. “Mãe, traz água?”, “Ni, seca meu cabelo?”, “A pé eu não vou!”  Então um dia ela resolveu que ia fazer intercâmbio. Eu pensei, “Ah! Isso demora!” E ela foi preenchendo a papelada, fazendo as provas, indo às reuniões do Rotary, quando eu vi faltava um ano. Quando olhei de novo, era o dia da partida. Vai, Gabi, vai conquistar o mundo, vai conhecer outras maneiras de ver as coisas, mas lembra sempre que seu ninho tá quentinho aqui, tá?

sábado, 12 de julho de 2014

Minhas férias

                          Minhas férias foram bem curtinhas, não porque eu não tenha ficado em casa muitos dias, mas sim porque eu estava em tratamento. Por isso, passei muitos dias de cama, desanimada. Mesmo assim, consegui fazer algumas coisas das quais gosto muito. Cuidei das minhas plantinhas, li, fui ao cinema, cozinhei, vi os jogos da Copa, revi amigos e conversei sem pressa.